domingo, 31 de dezembro de 2017

É muito minério!



S11D completa um ano de operação e encerrará 2017 com 22 milhões de toneladas produzidas
Em 2018, a expectativa de produção é de 50 a 55 milhões de toneladas. Em 2019, a previsão é de 70 a 80 milhões, atingindo a capacidade de 90 milhões de toneladas em 2020
Por Conexão Mineral 21/12/2017 - 11:39 hs
Foto: Ricardo Teles/Vale 


Lavra em S11D com o sistema truckless

O Complexo S11D Eliezer Batista completou, este mês, um ano de operação com a estimativa de produzir 22 milhões de toneladas de minério de ferro em 2017. O sistema truckless (conjunto de escavadeira, britadores e correias transportadoras) iniciou sua operação de forma antecipada em relação ao cronograma original do projeto e está performando acima do previsto para o primeiro ano de ramp up, de acordo com a mineradora. De janeiro a novembro, a produtividade chegou a 6,5 mil de toneladas por hora para uma capacidade de 8 mil de toneladas por hora. Em 2018, a expectativa de produção é de 50 a 55 milhões de toneladas. Em 2019, a previsão é de 70 a 80 milhões, atingindo a capacidade de 90 milhões de toneladas em 2020.

Maior projeto da história da mineração, o Complexo S11D inclui mina, usina, logística ferroviária e portuária e recebeu investimentos de US$ 14,3 bilhões. Trata-se, ainda, do maior investimento privado realizado no Brasil nesta década e que impacta positivamente as exportações brasileiras, trazendo novo impulso ao desenvolvimento econômico e social do país, em especial aos Estados do Pará e Maranhão. As operações da Vale em Minas Gerais também foram beneficiadas, já que parte do minério nelas produzido vem sendo misturado (blending) com o minério do Sistema Norte, composto pelas minas do S11D e Carajás, favorecendo a competividade do minério brasileiro no mercado internacional. 

O S11D permite à Vale também reduzir o custo de produção.  A estimativa é de que, em 2020, o custo do minério de S11D entregue no Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA), excluindo os royalties, o chamado custo-caixa C1, fique em US$ 7,7 por tonelada - 47% menor que o custo C1 médio da Vale atual. O ramp up da nova mina está inserido também na chamada segunda onda de produtividade da Vale, que prevê melhoria no desempenho, por meio da inovação e automação, redução de custo através da implementação de programa de gestão, entre outras ações.

Segundo Josimar Pires, diretor de Operação do Complexo S11D, o primeiro ano representa uma conquista para todo mercado de mineração. "O S11D reúne o avanço tecnológico que a atividade de mineração vem buscando para o mercado. Por isso, estaremos focados em garantir a operação de maior produtividade e eficiência operacional do segmento, aliada ao desenvolvimento social e forte compromisso ambiental", afirma.
O investimento no S11D, que compreende mina, usina, ferrovia e porto, é da ordem de US$ 14,3 bilhões, US$ 6,4 bilhões estão sendo aplicados na implantação da mina e da usina e US$ 7,9 bilhões referem-se à construção de um ramal ferroviário de 101 quilômetros, à expansão da Estrada de Ferro Carajás (EFC), com obras no Maranhão e Pará, e à ampliação do Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA). No terceiro trimestre deste ano, as obras de todo o S11D, incluindo mina, usina e logística associada, alcançaram 92% de avanço físico consolidado, sendo composto por 99% na mina e 86% na logística.

Arrecadação
De junho de 2004 a novembro de 2017, a Vale repassou ao município de Canaã, cerca de R$ 870 milhões em arrecadação, considerando apenas o pagamento da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) e do ISS (Imposto sobre Serviços). O valor inclui o início do repasse da CFEM fruto da atividade do minério de ferro, além do recolhimento oriundo do cobre, que é realizado desde 2004, quando foram iniciadas as operações da Mina do Sossego no município.

Nesse primeiro ano de operação, considerando apenas cinco dos mais de 100 impostos e tributos aplicados sobre a atividade de mineração, o S11D já gerou quase R$ 150 milhões de pagamentos de impostos e taxas para União, o Pará e a cidade de Canaã. Deste total, cerca de R$ 30 milhões referem-se à CFEM, dos quais R$ 19 milhões (65% do total) foram transferidos para Canaã, que recebeu ainda R$ 51 milhões de Imposto sobre Serviços (ISS). A produção do minério de ferro em Canaã, com a entrada do S11D, gerou ao governo do Pará, em um ano, cerca de R$ 66 milhões, provenientes do pagamento de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias), Taxa de Fiscalização de Recursos Minerais (TFRM) e da Taxa de Fiscalização de Recursos Hídricos (TFRH).

Desde o início da implantação do Projeto S11D em 2013 até esse primeiro ano de operação, a Vale investiu também mais de R$ 150 milhões em ações sociais com a execução de um conjunto de 40 obras em parceria público-privada com a prefeitura de Canaã. Entre elas, estão a construção e a reforma de oito escolas municipais, que passaram a contar com infraestrutura de qualidade, salas climatizadas, quadras esportivas cobertas e prédios adaptados a pessoas com deficiência. O hospital público da cidade foi reformado e ampliado, o que permitiu quase dobrar a capacidade de atendimento. A unidade recebeu ainda uma área cirúrgica, uma maternidade e uma sala de cuidados com recém-nascidos. 

Tecnologia
Uma das principais soluções de produtividade que transformam a mina de S11D em referência em termos ambientais é a adoção do sistema truckless, um conjunto de estruturas composto por escavadeiras e britadores móveis interligados por correias transportadoras que, juntos, somam cerca de 68 quilômetros de extensão. Operando na mina, o sistema substitui os tradicionais caminhões fora de estrada utilizados na mineração convencional. Sem os caminhões, a Vale reduz em cerca de 70% o consumo de diesel, reduzindo a produção de resíduos, tais como pneus, filtros de óleo e lubrificantes.
A usina de beneficiamento utiliza a rota de processamento à umidade natural, que permite reduzir em 93% o consumo de água, o equivalente ao abastecimento de uma cidade de 400 mil habitantes. Outra vantagem é a eliminação de barragens de rejeitos.

Com o truckless, somado ao beneficiamento à umidade natural, a Vale terá uma redução anual de, no mínimo, 50% das emissões de gases do efeito estufa, o que significa cerca de 130 mil toneladas de CO2 equivalentes que deixarão de ser emitidas. Haverá ainda uma economia de 18 mil MWh/ano de eletricidade, o consumo igual ao de 10 mil residências. 

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Evolução da lavoura!



Dados em tempo real







Instituto tem 212 pontos de coleta de informações climatológicas em todo o estado

A coleta sistemática de dados climáticos em território paulista remonta aos primórdios do IAC. Em 1890, o instituto inaugurou a estação meteorológica de Campinas, a mais antiga do estado. Hoje o IAC conta com uma rede de 212 pontos de coleta de informações climatológicas que cobrem todo o estado. Além de fornecer dados em tempo real para os produtores agrícolas e fazer previsões de curto prazo, a rede fornece dados para construção e manutenção de uma série histórica detalhada sobre o clima. Mais recentemente, esses dados têm sido usados para fazer projeções de longo prazo sobre como diferentes cenários de mudanças climáticas podem afetar os rumos da agricultura em São Paulo nas próximas décadas. Os estudos sugerem que eventuais diminuições no regime de chuvas, sobretudo se elas forem da ordem de 20%, podem causar mais problemas nas lavouras do que um possível aumento na temperatura média entre 2 e 4 ºC.
“O fator chuva parece ser mais crítico do que a temperatura”, comenta o engenheiro-agrônomo Orivaldo Brunini, coordenador do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (Ciiagro) do IAC. “Um aumento de até 2 ºC, sem diminuição significativa de pluviosidade, não deve afetar muito as lavouras.” Mesmo que ocorram alterações no regime de chuvas, Brunini afirma que é possível mudar a época de plantio e de colheita de algumas culturas, como o amendoim e o algodão, e assim adequá-las às novas condições do clima. “Nos casos do café e da cana, dois cultivos importantes para o estado, não esperamos ter de alterar a época de plantio em função das mudanças climáticas”, destaca Brunini. O cenário mais pessimista do último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) menciona a possibilidade de a temperatura média global subir até 4 ºC no final deste século. Brunini, no entanto, destaca que é difícil prever o que deverá ocorrer com o clima no estado de São Paulo, situado em uma zona de transição climática. Aumentos de temperatura são considerados prováveis, mas não há consenso sobre a questão das chuvas, se elas devem aumentar ou diminuir no território paulista. 

Os trabalhos do Ciiagro simularam os possíveis impactos das mudanças climáticas no tamanho das áreas agrícolas capazes de abrigar 34 culturas de importância econômica para São Paulo, desde cultivos tradicionalmente adaptados ao território paulista, como cana, café e laranja, até plantas que ganharam relevância apenas nas últimas décadas, como as seringueiras para a produção de borracha. O IAC dispõe de um zoneamento climático para todo o território paulista, baseado nas temperaturas e índices de pluviosidade médios dos últimos 30 anos e nas preferências ambientais de cada cultivo, se adaptado à área seca ou úmida, se acostumado com zona fria ou quente. 

Cenários
As projeções usaram como base o zoneamento atual de cada cultura, que discrimina quais são as melhores (e também as piores) áreas do estado para esse cultivo. Em seguida, foi calculado se a extensão das áreas boas para plantio de cada cultura aumenta ou diminui em razão de mudanças na temperatura e, às vezes, também no regime de chuvas. Sete cenários foram simulados: diminuição de 2 ºC; aumento de 2 ºC; aumento de 2 ºC e acréscimo de 20% de chuva; aumento de 4 ºC; aumento de 4 ºC e acréscimo de 20% de chuva; aumento de 2 ºC e menos 20% de chuva; e aumento de 4 ºC e menos 20% de chuva.

Em linhas gerais, um aumento de até 2 ºC na temperatura média ampliou as áreas do estado consideradas adequadas para a maior parte dos cultivos. As zonas aptas para a agricultura diminuem de tamanho quando o aumento de temperatura é acompanhado de uma diminuição de 20% no índice médio de chuva, segundo as projeções. A situação da cana ilustra essa tendência. A simples elevação da temperatura não modifica de forma significativa o perfil do zoneamento agroclimático para o cultivo. Atualmente, quase todo o interior paulista depois de Campinas é considerado ao menos adequado para o plantio da cana. Mas, se a chuva também se reduzir em um quinto, o norte de São Paulo, região hoje mais seca, pode se tornar inviável para esse cultivo. Nesse cenário, apenas o centro do estado e o Vale do Paraíba ainda seriam aptos para o plantio da cana.

domingo, 15 de outubro de 2017

Essa natureza incrivel e desconhecida



Larvas de insetos induzem planta do Pampa a produzir estruturas que também servem de abrigo para outros invertebrados

Revista Pesquisa FAPESP
Podcast: Gilson Moreira







 Nos arbustos da aroeirinha (Schinus weinmannifolius), no Pampa gaúcho, bolotas rosadas nem sempre são frutos. Cortadas, revelam uma série de cavidades dispostas em círculo, como se fossem gomos, cada uma contendo uma larva de vespa. Essas galhas, estruturas produzidas pela planta em resposta à ação dos insetos, foram descritas por volta de um século atrás pelo jesuíta português Joaquim da Silva Tavares (1866-1931). Só agora o grupo liderado pelo entomologista Gilson Moreira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mostrou que a história é bem mais complexa e começa com uma micromariposa até então desconhecida pela ciência.



O inseto ganhou o nome de Cecidonius pampeanus, que remete a galhas (kekídion, em grego) e ao bioma em que vive, conforme artigo publicado em setembro na revista Zookeys. Ele passou despercebido por tanto tempo porque as galhas que contêm suas larvas são verdes, do tamanho de feijões, e caem da planta durante o outono para desenvolver-se no chão. “As larvas ficam dormentes durante o inverno e se desenvolvem na primavera, para depois emergir”, explica Moreira.

“Levamos 10 anos para conseguir criar as larvas e identificar a espécie”, conta. Afinal conseguiram e, por meio de microscopia óptica, eletrônica e análises genéticas identificaram a mariposa com cerca de 1 centímetro (cm) de envergadura das asas acobreadas. A família, Cecidosidae, também tem representantes na Nova Zelândia e África do Sul, além da América do Sul. “Na África, as galhas produzidas por essas mariposas são conhecidas como jumping beans.” O termo, que significa feijões saltadores, se refere à impressão de que os pequenos grãos estão saltitando pelo chão quando as larvas dentro deles se remexem.


E as bolotas rosadas recheadas de vespas, que se confundem com frutos? Aí a história vai ficando intrincada. As galhas induzidas pelas mariposas podem ser usurpadas por larvas de vespas do gênero Allorhogas, classificadas como inquilinas porque induzem a produção de um tecido diferente, chegando às esferas de 3cm, e matam a larva original. Essas galhas modificadas permanecem presas à planta e por isso são detectadas com mais facilidade.

Outra invasora costumeira é a vespa do gênero Lyrcus, que suga o conteúdo da larva de C. pampeanus e se desenvolve dentro da galha original, que não cai e aos poucos vai secando. Quando termina o desenvolvimento, a vespa abre um furo na ponta e sai.

Depois de vazias, as galhas que não caíram ao chão ainda podem abrigar outras gerações de insetos sucessores como formigas. Recém-descoberto, o sistema restrito aos topos de morro em torno de Porto Alegre corre risco de extinção. Essa área sofre forte impacto por uso humano e a aroeirinha é considerada planta daninha nos pastos, por não ser apreciada pelo gado. Se desaparecerem, suas galhas podem deixar desalojada uma variedade ainda desconhecida de pequenos habitantes dos Pampas.